Quanto tempo demora o registro de marca no INPI em 2026? Essa é uma das perguntas que mais escuto, e ela geralmente vem de dois tipos de pessoa.
A primeira é quem está prestes a começar o processo e quer entender no que está entrando, antes de gastar tempo ou dinheiro com algo que não compreende direito. A segunda é quem já protocolou o pedido, está atualizando a página do INPI quase toda semana, e começa a se perguntar se aquilo realmente vai sair algum dia.
Os dois sentimentos são absolutamente normais. Em 15 anos atuando exclusivamente com registro de marcas e mais de 2.000 processos acompanhados no INPI, posso te garantir que essa ansiedade é tão comum quanto a própria dúvida.
A resposta curta é: na maioria dos casos, o registro fica pronto entre 18 e 24 meses. Mas o que pouca gente sabe é que o INPI mudou várias regras importantes em 2025 e em 2026. E algumas dessas mudanças, dependendo do seu caso, podem alterar bastante esse prazo.
Neste artigo, eu vou te explicar cada uma das cinco etapas do processo, quanto tempo cada uma leva, o que pode atrasar (ou acelerar) o seu registro, e como acompanhar tudo sem precisar enlouquecer no caminho. Vamos juntos entender, do começo ao fim.
Neste artigo, você vai aprender:
Quanto tempo demora o registro de marca no INPI
O registro de marca no INPI leva, em média, de 18 a 24 meses para ficar pronto. Esse é o tempo que vai do protocolo do pedido até a publicação da concessão, considerando um processo que não enfrenta oposições nem exigências do INPI no caminho.
Agora, antes de você seguir adiante, tem três informações que mudam bastante a forma de pensar esse prazo. E que muita gente ainda desconhece em 2026.
1. A proteção da sua marca começa no dia do protocolo, não no dia da concessão.
A partir do momento em que você protocola o pedido no INPI, a data de prioridade já fica garantida. Isso significa que, se outra pessoa tentar registrar a mesma marca na mesma classe depois de você, o pedido dela ficará para trás na fila e não terá prioridade sobre o seu. A Lei 9.279/96, que regula a propriedade industrial no Brasil, é bem clara nesse ponto.
2. Não existe mais a taxa final de concessão.
Quem protocolou marca até setembro de 2025 sabia que, depois de toda a espera, ainda precisava pagar uma segunda taxa, a chamada taxa de concessão, para receber o certificado. E muita gente perdia o pedido nessa etapa, simplesmente por esquecer de pagar dentro do prazo.
Desde 20 de setembro de 2025, o INPI unificou esse pagamento. Agora você paga tudo lá no início, e a concessão é emitida automaticamente quando a marca é aprovada. Sem cobrança extra. Sem risco de arquivamento por esquecimento.
E o melhor: essa regra vale também para os pedidos que estavam em andamento na época da mudança. Ou seja, se o seu processo ainda está em análise no INPI hoje, você não vai precisar pagar nenhum valor adicional quando ele for aprovado.
3. Em 2026, passou a ser possível ter o registro analisado em prazo muito menor, em casos específicos.
A partir de 1º de maio de 2026, entrou em vigor a Fase II do projeto-piloto de trâmite prioritário do INPI. Em algumas situações, o pedido pode sair da fila comum e ser analisado em uma fila separada, bem mais rápida. Vou te explicar com calma esse ponto mais adiante no artigo, porque ele pode fazer toda a diferença dependendo do seu caso.
Atenção! Esses 18 a 24 meses são uma média. Cada processo é único, e diversos fatores podem encurtar ou estender esse prazo. Por isso, mais do que decorar um número, vale entender como o processo funciona na prática. É o que vamos ver nas próximas seções.
Por que o registro de marca demora tanto (e por que vale a pena esperar)
O registro de marca demora porque o INPI recebe centenas de milhares de pedidos por ano, e cada um passa por etapas obrigatórias de análise técnica. Em 2025, foram mais de 504 mil pedidos de marca protocolados no Brasil, um recorde histórico, e cada um deles precisa ser examinado por um servidor do órgão, dentro de prazos legais que envolvem publicação oficial, prazo para terceiros se manifestarem, e análise de mérito.
Não é, portanto, uma fila de senha de banco.
Cada etapa existe por uma razão jurídica concreta. E pular qualquer uma delas significaria conceder marcas sem segurança jurídica, o que prejudicaria tanto o titular quanto o mercado.
O INPI é um órgão técnico, não administrativo simples
Muita gente imagina que o INPI funciona como um cartório: você entrega o pedido, paga a taxa e recebe o certificado. Não é assim que funciona.
O INPI é uma autarquia federal, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A função dele é avaliar, com rigor técnico, se a sua marca atende aos requisitos da Lei de Propriedade Industrial para ser registrada. E essa avaliação envolve verificar distintividade, conflito com marcas anteriores, adequação à classe escolhida, entre outros pontos.
Em resumo, cada pedido recebe uma análise individual. E essa análise leva tempo.
Cada etapa tem prazo legal definido
A maior parte do tempo do processo não é “burocracia inútil”. São prazos previstos em lei, que precisam ser cumpridos.
Por exemplo, depois que o pedido é publicado na Revista da Propriedade Industrial, abre-se um prazo de 60 dias para que terceiros possam se opor ao registro. Esse prazo não pode ser pulado, nem mesmo se ninguém apresentar oposição. É um prazo de proteção do sistema, garantindo que todos tenham a chance de se manifestar antes da concessão.
O mesmo vale para outros momentos do processo. Cada um existe para garantir segurança jurídica de quem está registrando.
Vale a pena esperar
Eu sei que dois anos parece muito tempo, especialmente quando você está investindo em embalagem, identidade visual, redes sociais e tudo o que envolve construir uma marca.
Mas pensa comigo:
Esse registro vai te dar exclusividade sobre a sua marca por 10 anos, em todo o território nacional, dentro da sua classe de atuação. E pode ser renovado indefinidamente, por períodos sucessivos de 10 anos. Ou seja, é um ativo que pode acompanhar o seu negócio para sempre.
Além disso, a sua prioridade sobre a marca já fica garantida no dia do protocolo, como expliquei na seção anterior. Isso significa que, durante a espera, ninguém pode passar na sua frente com um pedido posterior. O que o INPI ainda vai decidir, ao longo da análise, é se a sua marca cumpre todos os requisitos para ser registrada.
Lembre-se! Trocar a marca depois que o negócio está crescendo, porque alguém registrou antes ou porque você nunca registrou, custa muito mais caro do que esperar os 18 a 24 meses pela análise.
As 5 etapas do registro de marca no INPI e quanto tempo cada uma leva
O registro de marca no INPI passa por cinco etapas: protocolo do pedido, exame formal, publicação na RPI com prazo de oposição, exame de mérito e concessão. Cada uma tem um tempo próprio. Somadas, elas explicam os 18 a 24 meses do processo completo, considerando um caminho sem oposições nem exigências.
Para facilitar a sua visão geral, montei esta tabela resumo. Logo abaixo dela, explico cada etapa em detalhe.
| Etapa | Prazo médio | O que acontece |
|---|---|---|
| 1. Protocolo do pedido | Imediato | O pedido entra no sistema e você recebe o número do processo |
| 2. Exame formal | 30 a 45 dias | O INPI confere se os dados e documentos estão corretos |
| 3. Publicação + oposição | 60 dias | A marca é publicada na RPI e terceiros podem se opor |
| 4. Exame de mérito | Cerca de 16 meses | O INPI analisa se a marca pode ou não ser registrada |
| 5. Decisão final | Após o exame de mérito | INPI defere, indefere ou sobresta o pedido |
Agora, vamos a cada uma delas.
1. Protocolo do pedido (imediato)
O protocolo é o ponto de partida. Acontece assim que você preenche o formulário no sistema do INPI e paga a taxa correspondente. Na mesma hora, o pedido recebe um número de processo, e a sua marca passa a constar oficialmente no banco de dados do INPI.
É a partir desse momento que a sua data de prioridade fica garantida.
Mas atenção! Protocolar não é o mesmo que registrar. O protocolo apenas dá a largada na sua caminhada rumo ao registro. Há um bom caminho a percorrer até a marca estar de fato concedida.
2. Exame formal (30 a 45 dias)
Depois do protocolo, o INPI faz o exame formal do seu pedido. Aqui, a análise é sobre a “forma”: se os dados estão preenchidos corretamente, se os documentos enviados estão de acordo com as regras, se a imagem da marca está legível, e se a taxa foi paga.
Essa etapa costuma levar de 30 a 45 dias.
Se estiver tudo certo, o pedido segue para a publicação. Mas se o INPI encontrar algum problema, ele formula uma exigência formal.
Fique esperto(a)! O prazo para responder a uma exigência formal é de apenas 5 dias (artigo 157 da Lei 9.279/96). É um prazo curtíssimo. E se você perder, o pedido é considerado inexistente, ou seja, é como se ele nunca tivesse sido feito, e você perde inclusive a data de prioridade do protocolo. Por isso, acompanhar a publicação semanal da RPI desde o início faz toda a diferença.
3. Publicação na RPI e prazo de oposição (60 dias)
Passado o exame formal, o seu pedido é publicado na Revista da Propriedade Industrial, a RPI. Ela é o canal oficial do INPI, publicada toda terça-feira, e é por meio dela que o órgão comunica tudo o que acontece no seu processo.
A publicação do pedido abre um prazo de 60 dias para que terceiros apresentem oposição.
Traduzindo… durante esses 60 dias, qualquer pessoa ou empresa que se sinta prejudicada pelo seu pedido pode contestá-lo. Geralmente, isso acontece quando alguém já tem uma marca parecida e entende que a sua pode gerar confusão.
Se ninguém se opuser, ótimo: o processo segue direto para a próxima fase. Se houver oposição, você terá direito de se manifestar, também no prazo de 60 dias, apresentando os motivos pelos quais a sua marca pode ser registrada.
4. Exame de mérito ou substantivo (cerca de 16 meses)
Essa é a fase mais longa do processo, e também a mais importante.
No exame de mérito (também chamado de exame substantivo), um examinador do INPI analisa o seu pedido a fundo. Ele verifica se a marca é distintiva o suficiente, se não conflita com marcas anteriores, se a classe escolhida está correta, e se não existe nenhum impedimento legal ao registro.
É aqui que mora a maior parte da espera, justamente por causa do volume de pedidos na fila.
Durante esse exame, o INPI também pode formular uma exigência de mérito. Diferente da exigência formal, que vimos antes, essa tem um prazo maior: você tem 60 dias para respondê-la (artigo 159 da Lei 9.279/96).
Lembre-se! Apesar do prazo ser mais generoso aqui, perder uma exigência de mérito também tem consequência séria: o pedido pode ser arquivado em definitivo. Por isso, vale a mesma regra de sempre… acompanhe o processo de perto.
Ao final dessa análise, o INPI publica a sua decisão, que pode ser o deferimento (aprovação), o indeferimento (recusa) ou o sobrestamento (quando o exame fica suspenso à espera da decisão de outro processo).
5. Decisão final (varia conforme o resultado)
Ao final do exame de mérito, o INPI publica a decisão sobre o seu pedido. E aqui o seu processo pode tomar três caminhos diferentes, dependendo do que o examinador concluir.
Se o pedido for deferido (aprovado), começa a melhor parte. E aqui está uma das maiores novidades para quem registra marca hoje.
Até setembro de 2025, depois do deferimento, ainda era preciso pagar uma taxa final, a chamada taxa de concessão, dentro de um prazo. E muita gente perdia a marca bem na reta final, simplesmente por esquecer de fazer esse pagamento.
Desde 20 de setembro de 2025, isso mudou. Com o pagamento unificado lá no início do processo, a concessão passou a ser automática. Aprovado o pedido, a marca é concedida sem nenhuma cobrança extra e sem o risco de arquivamento por esquecimento de pagamento. Na prática, a concessão costuma ser publicada cerca de 30 dias depois do deferimento, e o certificado fica disponível para download no sistema do INPI.
É só a partir da publicação dessa concessão que a sua marca está, oficialmente, registrada.
Se o pedido for indeferido (recusado), nem tudo está perdido. Você tem o prazo de 60 dias para apresentar um recurso administrativo, levando o caso para uma nova análise dentro do próprio INPI. Esse recurso é examinado pelo presidente do INPI e pode reverter a decisão. Por isso, mesmo um indeferimento não é o fim da linha, especialmente quando há bons argumentos jurídicos para defender a marca.
Se o pedido for sobrestado (suspenso), o seu processo fica em uma espécie de “pausa”. Geralmente, isso acontece quando o exame da sua marca depende da decisão de outro processo anterior, com marca parecida. Quando o processo anterior for resolvido, o seu volta a tramitar normalmente. Não é um problema em si, mas estende o tempo total até a decisão final.
Lembre-se! Em qualquer um desses três cenários, acompanhar o processo de perto é o que faz a diferença entre seguir adiante com segurança ou perder prazos importantes.

O que pode atrasar (ou acelerar) o seu registro
Os 18 a 24 meses são a média, mas o tempo real do seu processo depende muito do que acontece no caminho. Existem fatores que podem estender a análise por meses, e outros que, se cuidados desde o início, ajudam o processo a fluir dentro do prazo esperado. Conhecer essa lista é o primeiro passo para evitar contratempos.
Vou começar pelos fatores que atrasam, porque são os que mais geram dúvida. Em seguida, mostro o que faz o processo andar com mais leveza.
Exigências do INPI
Como você viu na seção anterior, o INPI pode formular dois tipos de exigência durante o seu processo: a formal (5 dias para responder) e a de mérito (60 dias para responder). Sempre que uma exigência aparece, o processo para até ela ser cumprida. E isso acrescenta tempo.
A boa notícia é que a maioria das exigências pode ser evitada. Erros simples no formulário, dados divergentes entre o titular e o CNPJ, especificação mal redigida ou imagem da marca fora dos padrões são alguns dos motivos mais comuns. Tudo isso se previne com atenção no momento do depósito.
Oposição de terceiros
A oposição é o segundo grande fator de atraso. Quando alguém entende que a sua marca conflita com outra já existente, pode contestá-la durante o prazo de 60 dias após a publicação. E aí o seu processo entra em uma nova rota.
Você terá direito de se manifestar, também em 60 dias, apresentando os motivos pelos quais a sua marca pode ser registrada. E o examinador vai considerar tanto a oposição quanto a sua defesa na hora de decidir. Esse vai e vem pode adicionar meses ao processo, dependendo da complexidade do caso.
Atenção! Receber uma oposição não significa que a sua marca será negada. Significa apenas que ela precisa ser defendida tecnicamente. Por isso, contar com apoio especializado nessa hora é fundamental.
Erros na escolha da classe
A escolha da classe de registro é, talvez, uma das decisões mais subestimadas do processo. E também uma das que mais geram problemas.
Cada classe da Classificação de Nice corresponde a um grupo de produtos ou serviços. Se você escolher a classe errada, ou descrever a especificação de forma genérica demais, o INPI pode formular exigência ou até indeferir o pedido.
E aí, além de atrasar, você corre o risco real de perder a marca em uma classe que era estratégica para o seu negócio.
O que ajuda o processo a andar
Agora vamos ao lado bom da história. Existem ações simples que reduzem muito o risco de atrasos:
- Fazer uma pesquisa de anterioridade bem feita antes de protocolar. Isso revela conflitos com marcas existentes antes que o INPI ou um terceiro descubra, e permite ajustar a estratégia.
- Preencher o formulário com calma e precisão, conferindo se os dados batem com o CNPJ ou CPF do titular, se a imagem da marca está nos padrões exigidos, e se a especificação descreve corretamente os produtos ou serviços.
- Escolher a classe e o tipo de marca com estratégia, e não apenas com base no que parece “encaixar”. Cada decisão aqui afeta diretamente o exame de mérito.
- Acompanhar a RPI semanalmente, toda terça-feira, para nunca perder uma exigência ou movimentação importante do processo.
- Contar com apoio especializado desde o início. Boa parte dos atrasos vem de erros que poderiam ser evitados com orientação técnica. E corrigir um problema sempre custa mais tempo (e dinheiro) do que preveni-lo.
Em resumo: não dá para garantir que o seu registro vai sair em exatos 18 meses. Mas dá, sim, para reduzir bastante o risco de imprevistos. E essa é a diferença entre um processo que flui e um que se arrasta.

Existe registro de marca mais rápido? Conheça o trâmite prioritário em 2026
Sim, em algumas situações é possível ter o seu registro de marca analisado em prazo bem menor do que os 18 a 24 meses normais. O INPI mantém um programa chamado trâmite prioritário, que permite que pedidos específicos saiam da fila comum e sigam por uma fila separada, com análise muito mais rápida.
E aqui vai uma novidade importante para 2026: o INPI ampliou bastante as situações que dão direito a esse trâmite prioritário, por meio das Portarias 66 e 67, que entraram em vigor no dia 1º de maio de 2026.
O que mudou em 2026
Antes dessas portarias, o trâmite prioritário no INPI era mais restrito. Agora, dentro do que o INPI chama de “Fase II” do projeto-piloto, várias novas modalidades passaram a ser aceitas, com base em objetivos estratégicos e políticas públicas. E muitas delas atendem situações comuns no dia a dia das empresas.
Olha algumas delas, que podem fazer sentido para o seu caso:
- Empresas enquadradas legalmente como startups
- Marcas que dependem do registro para atuar em plataformas de marketplace (como Mercado Livre, Amazon, Shopee e outras)
- Marcas envolvidas em ações judiciais sobre o uso do sinal marcário
- Empresas que dependem da concessão do registro para liberação de recursos públicos ou autorização do poder público
- Empresas em situação de oposição com base no direito de precedência
Existem ainda outras modalidades dentro do projeto-piloto, voltadas para perfis mais específicos, como instituições de pesquisa, comunidades tradicionais e situações ligadas a acordos internacionais.
Vale a pena solicitar?
Em casos elegíveis, vale muito.
Pedidos analisados no trâmite prioritário podem sair em uma fração do tempo do prazo comum. Mas é importante entender que o trâmite prioritário tem número limitado de vagas por ano, é distribuído por ordem de protocolo, e exige documentação específica para comprovar o enquadramento na modalidade escolhida.
Por isso, antes de solicitar, é fundamental avaliar:
- Se o seu caso realmente se encaixa em alguma das modalidades previstas
- Se você tem a documentação necessária para comprovar esse enquadramento
- Se o custo adicional do trâmite prioritário (taxa específica do INPI) compensa o ganho de tempo no seu caso
Atenção! O trâmite prioritário só funciona quando o requerimento está bem formulado e devidamente comprovado. Pedidos sem documentação adequada acabam negados pelo INPI, e nesse caso o processo segue na fila comum, sem prejuízo, mas também sem o ganho de tempo esperado.
Se você acredita que o seu caso pode se enquadrar em alguma dessas situações, vale conversar com um especialista antes de protocolar. Cada modalidade tem suas regras próprias, e um erro nessa etapa pode custar caro.
Posso usar minha marca antes do registro sair?
Sim, você pode usar a sua marca enquanto o registro está em análise no INPI. Aliás, na maioria dos casos, é exatamente isso que acontece: a empresa começa a usar a marca antes mesmo de protocolar o pedido, e segue usando durante todo o processo de registro. Mas existem cuidados importantes nessa fase, e algumas regras que precisam ser respeitadas para você não ter dor de cabeça depois.
Vamos por partes.
O que muda com o protocolo
A partir do momento em que você protocola o pedido no INPI, a sua marca passa a ter o que se chama de expectativa de direito. Na prática, isso significa que, a partir dessa data, você tem prioridade na fila de análise. Se outra pessoa tentar registrar a mesma marca depois de você, o pedido dela ficará atrás do seu.
Mas atenção: expectativa de direito não é a mesma coisa que direito garantido. O exame ainda vai acontecer, e o seu pedido ainda pode receber oposição ou exigência. Ou seja, durante esse período de espera, você está usando a marca em uma situação intermediária, com algum respaldo jurídico, mas sem a proteção plena que só vem com a concessão.
Posso usar o símbolo ® antes da concessão?
Não. Essa é uma das regras mais importantes que você precisa conhecer.
O símbolo ® (a famosa “R bolinha”) só pode ser usado após a concessão oficial do registro. Antes disso, usar o ® configura falsa indicação de titularidade, o que pode gerar problemas legais e até prejudicar a sua imagem no mercado.
Já o símbolo ™ (do inglês trademark) pode ser usado livremente, em qualquer fase do processo, e até mesmo antes do protocolo. Ele indica que você considera aquele sinal como sua marca, mas não garante nenhuma proteção legal por si só.
Se quiser entender com mais profundidade a diferença entre os dois símbolos e quando usar cada um, escrevi um artigo completo sobre o R de registro de marca.
Cuidados ao usar a marca antes da concessão
Mesmo podendo usar a marca, vale ter alguns cuidados nessa fase:
- Documente o uso desde o início. Guarde prints de redes sociais, embalagens, notas fiscais, materiais de divulgação. Tudo isso pode ser útil se, em algum momento, você precisar comprovar que já usava a marca.
- Acompanhe o processo de perto. Se aparecer uma oposição ou exigência, você precisa responder dentro do prazo. Caso contrário, pode perder o pedido e ficar usando uma marca que não te pertence oficialmente.
- Tenha cautela com investimentos pesados antes da concessão. Embalagens, fachadas, materiais impressos, registros de domínio, contratos de franquia, tudo isso depende da marca. Se o pedido for indeferido, você pode ter que reformular boa parte dessas frentes. Não significa que você não deve investir, significa apenas que vale entender bem o cenário antes de cada decisão.
Lembre-se! A possibilidade de usar a marca antes do registro é uma das vantagens do sistema brasileiro. Mas essa possibilidade vem com a responsabilidade de cuidar do processo até o fim. Quanto mais cuidado você tiver durante a espera, mais tranquilo será o caminho até o seu certificado.
Como acompanhar o andamento do seu pedido
Acompanhar o andamento do seu pedido de registro de marca é tão importante quanto fazer o pedido em si. Como o INPI não envia notificações por e-mail nem por carta, toda a comunicação oficial acontece pela Revista da Propriedade Industrial. E é responsabilidade do titular ou do procurador acompanhar essas publicações de perto.
A boa notícia é que o INPI oferece ferramentas gratuitas e acessíveis para esse acompanhamento. A má notícia é que perder um prazo de exigência por falta de acompanhamento pode custar o seu registro.
Vamos ver como fazer isso direito.
Consulta pelo sistema de busca do INPI
A primeira forma, e a mais usada, é consultar o sistema de busca de marcas do INPI. Você acessa o portal oficial, vai até a seção de busca de marcas, e pesquisa pelo número do processo ou pelo nome da marca. O sistema mostra todas as movimentações do pedido, incluindo a fase atual, as publicações na RPI e eventuais despachos.
Para quem já tem o pedido protocolado, a consulta pelo número do processo é o caminho mais direto. Para quem ainda está em fase de pesquisa de viabilidade, vale a pena conhecer o passo a passo completo no nosso guia sobre como consultar registro de marca no INPI.
Leitura da RPI semanal
A Revista da Propriedade Industrial é publicada toda terça-feira no portal do INPI. É nela que aparecem todos os despachos oficiais, incluindo exigências, oposições, deferimentos e indeferimentos.
Para acompanhar pela RPI, você precisa:
- Acessar o portal do INPI toda semana
- Abrir a RPI da terça-feira mais recente
- Buscar pelo número do seu processo dentro do PDF da revista
Pode parecer trabalhoso, e é. Mas é o canal oficial de comunicação do INPI, e qualquer prazo que abrir contra você começa a contar a partir da publicação ali, mesmo que você nunca tenha visto.
Fique esperto(a)! Não é incomum receber uma exigência formal com prazo de apenas 5 dias. Quem só descobre isso uma semana depois já perdeu o pedido. Por isso, o acompanhamento semanal não é uma sugestão, é uma necessidade.
Atenção aos prazos do INPI
Outro ponto que confunde muita gente: os prazos do INPI são contados em dias corridos, ou seja, finais de semana e feriados entram na conta. A contagem começa no primeiro dia útil após a publicação na RPI, e segue de forma contínua até o fim do prazo.
Isso muda tudo na hora de responder uma exigência ou apresentar uma manifestação. Se você imaginar que tem mais tempo do que realmente tem, pode perder o prazo sem perceber.
Se você quer entender em detalhes como funciona essa contagem, com exemplos práticos, vale a leitura do artigo específico sobre prazos do INPI e como contá-los corretamente.
Acompanhamento profissional faz diferença
Eu sei que tudo isso pode parecer demais para quem só queria registrar a marca da sua empresa e continuar tocando o negócio. E é justamente por isso que o acompanhamento profissional existe.
Um especialista em registro de marcas faz esse monitoramento sistemático para você, identifica movimentações relevantes assim que aparecem, e te avisa só do que realmente importa, com o tempo necessário para agir. Isso libera você para focar no que faz a sua empresa crescer, sem ficar refém da agenda do INPI.
Em mais de 2.000 processos que já acompanhei, posso te garantir: a maior parte dos problemas que vejo poderia ter sido evitada com um acompanhamento mais atento desde o início.

O que fazer enquanto espera os 18 a 24 meses
A espera pelo registro não precisa ser um tempo parado. Pelo contrário: esses 18 a 24 meses podem ser usados a favor do seu negócio, fortalecendo a marca, construindo presença no mercado e organizando bases que vão facilitar muito a sua vida quando o certificado finalmente sair. A maior parte dos meus clientes que aproveitam bem esse período chega à concessão com a marca já consolidada, em vez de apenas registrada.
Aqui vão algumas ações que valem ser feitas em paralelo ao processo no INPI.
Construa a marca no mundo digital
Enquanto o INPI analisa o pedido, você pode (e deve) trabalhar a presença da marca nos canais que dependem dela. Algumas frentes importantes:
- Registro de domínio com o nome da marca, antes que alguém pegue
- Perfis em redes sociais com o handle escolhido, mesmo que ainda não vá usar todas
- Conta de e-mail profissional com o domínio próprio
- Identidade visual finalizada, com logotipo, paleta de cores e materiais base
Esses são passos que não dependem da concessão do registro, mas que protegem a marca em outras frentes e dão profissionalismo ao negócio desde já.
Documente o uso da marca desde o início
Esse é um dos pontos mais subestimados por quem está esperando o registro sair. Documentar o uso da marca, desde o primeiro dia, faz uma diferença enorme caso você precise se defender de uma oposição, comprovar uso anterior, ou enfrentar uma situação inesperada.
Vale guardar:
- Prints de postagens em redes sociais (com data visível)
- Notas fiscais com o nome da marca
- Embalagens, etiquetas, cartões e materiais impressos
- Anúncios pagos, com data e plataforma
- Contratos com fornecedores e parceiros
Tudo isso, organizado em uma pasta digital ou em nuvem, vira um acervo de provas que pode ser decisivo no futuro. E custa quase nada para manter.
Acompanhe a RPI toda semana (ou tenha alguém que acompanhe)
Já falei disso antes, mas reforço porque é mesmo essencial. O acompanhamento semanal da RPI é o que separa um processo que flui de um processo que se perde por falta de atenção.
Se você não tem tempo nem familiaridade com o sistema, contar com um especialista para esse monitoramento é, sem dúvida, o investimento que mais paga retorno durante a espera.
Avalie se o trâmite prioritário se aplica ao seu caso
Como vimos na seção sobre trâmite prioritário, em 2026 várias novas modalidades passaram a aceitar pedidos para análise mais rápida. Se o seu negócio se enquadra em alguma das situações previstas, vale avaliar essa possibilidade logo no início da espera, e não só lá na frente.
Quanto antes você protocolar o requerimento de trâmite prioritário (quando aplicável), mais cedo o seu processo pode sair da fila comum.
Use o tempo para fortalecer a marca, não para esperar de braços cruzados
No fim das contas, o melhor jeito de encarar essa espera é entender que o tempo do INPI não precisa ser o tempo do seu negócio. Enquanto o processo segue lá, você segue aqui, construindo uma marca cada vez mais reconhecida pelos seus clientes.
E quando o certificado chegar, a sua marca não vai estar começando do zero. Vai estar pronta para crescer com a segurança jurídica que o registro garante.
Conclusão: o tempo da espera é parte da proteção
Voltando à pergunta que abriu este artigo: quanto tempo demora o registro de marca no INPI em 2026?
A resposta, como você viu, está entre 18 e 24 meses para a maior parte dos processos. Pode ser menos, em casos elegíveis ao trâmite prioritário. E pode ser mais, se aparecerem oposições ou exigências no caminho.
Mas a resposta vai além do número.
Você descobriu que a proteção da sua marca começa no dia do protocolo, e não na concessão. Que existem cinco etapas bem definidas no processo, cada uma com seu próprio prazo. Que mudanças importantes aconteceram em 2025 e 2026, simplificando o pagamento e abrindo novas possibilidades de análise mais rápida. E que o tempo de espera, longe de ser um obstáculo, pode ser um período estratégico para construir uma marca mais forte.
Em 15 anos atuando exclusivamente com registro de marcas, eu vi de tudo um pouco. Vi marcas concedidas em poucos meses, e vi marcas que demoraram além da média por causa de detalhes que poderiam ter sido evitados no começo. E o que sempre fez diferença, em todos esses casos, foi a qualidade do trabalho feito antes e durante o processo.
Registrar marca não é apenas enviar o protocolo para o INPI e esperar. É escolher a classe certa, fazer a pesquisa de anterioridade direito, preencher o pedido sem erros, acompanhar cada movimentação, responder prazos em dia, e tomar decisões estratégicas em cada etapa. E quando tudo isso é feito com cuidado, os 18 a 24 meses passam mais leves, com muito menos surpresas pelo caminho.
A sua marca representa anos de trabalho, investimento e propósito. Ela merece ser cuidada como o ativo importante que é.
E se você quer começar esse processo da forma certa, ou se já protocolou o pedido e quer ter a tranquilidade de saber que cada etapa está sendo acompanhada por quem entende do assunto, eu posso te ajudar com isso.

Perguntas Frequentes
Por que o registro de marca demora tanto?
O registro demora porque o INPI recebe centenas de milhares de pedidos por ano (mais de 504 mil só em 2025) e cada um passa por etapas obrigatórias de análise técnica, com prazos legais para publicação, oposição e exame de mérito. Não é burocracia inútil: cada etapa existe para garantir segurança jurídica ao titular e ao mercado.
Qual a etapa mais demorada do registro?
A etapa mais demorada é o exame de mérito (também chamado de exame substantivo), que leva em média 16 meses. É nessa fase que o INPI analisa a fundo se a marca pode ser registrada, verificando distintividade, conflito com marcas anteriores e adequação à classe escolhida. O grande volume de pedidos na fila é o principal motivo dessa demora.
Minha marca está protegida durante o processo de análise?
Durante a análise, você tem o que se chama de expectativa de direito. Isso significa que a sua data de prioridade fica garantida desde o protocolo, mas a proteção plena só vem com a concessão do registro. Em outras palavras: ninguém pode passar na sua frente com um pedido posterior, mas o INPI ainda vai decidir se a marca cumpre os requisitos para ser registrada.
O que acontece se eu não responder uma exigência do INPI?
Depende do tipo de exigência. Se for uma exigência formal (prazo de 5 dias), o pedido é considerado inexistente, ou seja, é como se nunca tivesse sido feito, e você perde inclusive a data de prioridade. Se for uma exigência de mérito (prazo de 60 dias), o pedido é arquivado em definitivo. Em qualquer dos casos, a consequência é grave, por isso o acompanhamento da RPI é essencial.
E se minha marca for indeferida depois de todo esse tempo?
Indeferimento não é o fim da linha. Você tem o prazo de 60 dias para apresentar recurso administrativo, que será analisado pelo presidente do INPI e pode reverter a decisão. Quando há bons argumentos jurídicos para defender a marca, o recurso costuma ser o caminho. Por isso, contar com apoio especializado nessa hora faz toda a diferença.
Como saber se meu registro foi concedido?
A concessão é publicada na Revista da Propriedade Industrial, sempre às terças-feiras. Você pode acompanhar pela RPI ou consultar diretamente o número do seu processo no sistema de busca de marcas do INPI. Desde setembro de 2025, com o pagamento unificado, a concessão é automática após o deferimento, e o certificado fica disponível para download no portal do INPI cerca de 30 dias depois.